Quase todos ainda não são todos faltam tantos ainda PARATODOS.
Quase centro ainda não chegou ao centro falta mais ainda EPICENTRO.
Quase bom ainda não ficou bom falta muito ainda para o BOOM.
Quase andar ainda não saiu do lugar falta tanto ainda por ANDAR.
Passa dia, chega noite e sempre o mesmo dia, mesma noite
E o amanhã nunca chega
Acaba vida, vem a morte e sempre a velha dor é a mesma dor
E o amanhã nunca chega
Quase fundo ainda não chegou ao fundo falta algo mais PROFUNDO.
Quase certo ainda não ficou bem certo falta o mundo ainda estar CERTO.
Quase terra ainda não se tem terra falta reforma ainda na TERRA.
E quase amar ainda não é amar falta dor ainda PARAMAR.
domingo, 10 de julho de 2011
VIDA QUE SEGUE
A verdade é que você se foi
E a vida segue mesmo que eu não queira.
A verdade é que tenho que me acostumar
Com a perda do caminho,
Você não volta mais seu olhar para o meu lugar.
A verdade é que tenho de parar de pintar
De preto meus cabelos brancos,
Você nem vai se importar se não ficar bem ao seu olhar.
A verdade é que tenho que ter coragem
Para deixar o passado no passado,
Nem mesmo você mora mais naquele tempo que nos perdemos.
A verdade é que tenho que me contentar
Com o silêncio como melodia,
Você não vai mudar sem modo de pensar para me agradar.
Mas, preferiria continuar acreditando
Na mentira de ainda conseguir voltar o tempo
Bem no instante em que éramos um apenas.
É pena, não posso mais
E a vida segue mesmo que eu não tenha morrido.
E a vida segue mesmo que eu não queira.
A verdade é que tenho que me acostumar
Com a perda do caminho,
Você não volta mais seu olhar para o meu lugar.
A verdade é que tenho de parar de pintar
De preto meus cabelos brancos,
Você nem vai se importar se não ficar bem ao seu olhar.
A verdade é que tenho que ter coragem
Para deixar o passado no passado,
Nem mesmo você mora mais naquele tempo que nos perdemos.
A verdade é que tenho que me contentar
Com o silêncio como melodia,
Você não vai mudar sem modo de pensar para me agradar.
Mas, preferiria continuar acreditando
Na mentira de ainda conseguir voltar o tempo
Bem no instante em que éramos um apenas.
É pena, não posso mais
E a vida segue mesmo que eu não tenha morrido.
sábado, 28 de maio de 2011
SUÍTE MELANCÓLICA Nº :1 PARA UM HOMEM QUE APARENTEMENTE TEM TUDO
Entre uma dose e outra de cachaça dois bêbados debatiam sobre as ironias da vida. Até aquele momento nada de relevante fora digno de registro. Seguiria assim por mais tempo se o mais sóbrio não elevasse o nível da conversa.
- Mas afinal, o que falta para um homem que aparentemente tem tudo?
- O conceito do que é tudo e do que é nada é muito relativo, não acha? Apesar de todas as pessoas serem iguais em diversos aspectos, o que as tornam diferente é, única e exclusivamente, uma questão de logística social.
- Então o que nos torna tão iguais? Diferentes? Sei lá, estou ficando confuso.
- A solidão.
- Isso responde a minha primeira pergunta?
- Talvez.
- Sei.
- Ter algo só faz sentido para quem existe de fato e de direito. E existir consiste em ter consciência de que ninguém tem nada na vida, nem sua própria vida. Assim sendo, ter significa não ter, posto que nada nos pertence. Ou seja, até aí somos solitários.
- Exato. Acho que sim. Sei lá, estou ainda mais confuso.
- Acalme-se. Tudo sempre se resolve.
- E o resto?
- O resto é uma vaga possibilidade. Possibilidade, claro, de ser feliz.
Houve silêncio depois disso. Eles sabiam que de alguma maneira o fato de não terem riqueza alguma poderia significar que tinham mais do que outros. Brindaram a este fato com outra dose seca e quente de cachaça. Depois voltaram a debater sobre outras ironias da vida menos importantes.
- Mas afinal, o que falta para um homem que aparentemente tem tudo?
- O conceito do que é tudo e do que é nada é muito relativo, não acha? Apesar de todas as pessoas serem iguais em diversos aspectos, o que as tornam diferente é, única e exclusivamente, uma questão de logística social.
- Então o que nos torna tão iguais? Diferentes? Sei lá, estou ficando confuso.
- A solidão.
- Isso responde a minha primeira pergunta?
- Talvez.
- Sei.
- Ter algo só faz sentido para quem existe de fato e de direito. E existir consiste em ter consciência de que ninguém tem nada na vida, nem sua própria vida. Assim sendo, ter significa não ter, posto que nada nos pertence. Ou seja, até aí somos solitários.
- Exato. Acho que sim. Sei lá, estou ainda mais confuso.
- Acalme-se. Tudo sempre se resolve.
- E o resto?
- O resto é uma vaga possibilidade. Possibilidade, claro, de ser feliz.
Houve silêncio depois disso. Eles sabiam que de alguma maneira o fato de não terem riqueza alguma poderia significar que tinham mais do que outros. Brindaram a este fato com outra dose seca e quente de cachaça. Depois voltaram a debater sobre outras ironias da vida menos importantes.
METRÔ RETRÔ
Às vezes, só às vezes, quando o barulho da cidade silencia e é possível ouvir os próprios passos, eu consigo estar com você no mesmo tempo e lugar. Então posso dizer sem medo de errar ou ofender, que sentimos algo bem parecido.
Você vem e fica com as pessoas do lugar. Divide com elas o pouco que tem. Conversa sobre as coisas da vida. Recorda-se de outros que se foram em um passado recente. Sente-se em casa e parte de uma família. Olha para todos os lugares e de repente, para lugar nenhum. Tudo bem e perfeito, tudo infinitamente azul. Tanto que ninguém pensaria em solidão. Ninguém.
Você até observa mais atentamente as luzes das casas apagadas por pessoas que acesas assistem a vidas parecidas com a delas pela televisão. Encanta-se por ver ao longe o movimento de crianças inocentes e inocentes ao momento, brincando em seus parques. Sorrir com um resto de chuva molhando flores de um jardim. Pensa em tudo isso seguindo seu curso normal de segunda-terça-quarta-quinta-sexta-sábado-domingo. E também, que ninguém pensaria em solidão, a sua solidão.
Mas, eu conheço a sua dor, sei o que tem passado para escondê-la dentro da alma. Sei o que tem feito para negá-la a si mesmo. Porque ela se parece tanto com a minha. Quem sabe até sejam a mesma. No entanto, não há nada que se possa fazer além de se lembrar de como tudo era, tentando nunca esquecer no que se tornou. Não há nada que se possa fazer. O tempo não vai e volta, ele apenas vai, não volta. E você não engana a si mesmo e sabe disso. Seus olhos tristes não mentem, solidão é o nome do jogo, mesmo que tudo passe despercebido para os outros. Nenhum de nós dois diz nada, estamos juntos no mesmo bonde. E este ainda está bem longe da sua parada terminal.
Mas depois, quando todo o barulho retorna, muito mais intenso do que antes, e a cidade volta a se agitar, não consigo ouvir mais nada, nada. Ambos nos perdemos no meio de todos. E assim então permanecemos escondidos e nos confundindo com o barulho da cidade.
Você vem e fica com as pessoas do lugar. Divide com elas o pouco que tem. Conversa sobre as coisas da vida. Recorda-se de outros que se foram em um passado recente. Sente-se em casa e parte de uma família. Olha para todos os lugares e de repente, para lugar nenhum. Tudo bem e perfeito, tudo infinitamente azul. Tanto que ninguém pensaria em solidão. Ninguém.
Você até observa mais atentamente as luzes das casas apagadas por pessoas que acesas assistem a vidas parecidas com a delas pela televisão. Encanta-se por ver ao longe o movimento de crianças inocentes e inocentes ao momento, brincando em seus parques. Sorrir com um resto de chuva molhando flores de um jardim. Pensa em tudo isso seguindo seu curso normal de segunda-terça-quarta-quinta-sexta-sábado-domingo. E também, que ninguém pensaria em solidão, a sua solidão.
Mas, eu conheço a sua dor, sei o que tem passado para escondê-la dentro da alma. Sei o que tem feito para negá-la a si mesmo. Porque ela se parece tanto com a minha. Quem sabe até sejam a mesma. No entanto, não há nada que se possa fazer além de se lembrar de como tudo era, tentando nunca esquecer no que se tornou. Não há nada que se possa fazer. O tempo não vai e volta, ele apenas vai, não volta. E você não engana a si mesmo e sabe disso. Seus olhos tristes não mentem, solidão é o nome do jogo, mesmo que tudo passe despercebido para os outros. Nenhum de nós dois diz nada, estamos juntos no mesmo bonde. E este ainda está bem longe da sua parada terminal.
Mas depois, quando todo o barulho retorna, muito mais intenso do que antes, e a cidade volta a se agitar, não consigo ouvir mais nada, nada. Ambos nos perdemos no meio de todos. E assim então permanecemos escondidos e nos confundindo com o barulho da cidade.
NA VIDA NEM TUDO É COMO SE QUER
Abro a porta ainda inconsciente
Deixo o sol entrar.
Trago em rimas inconsistentes
O que não costumo usar.
Passo pelo que não mereço
Para melhor lhe impressionar.
Vejo que não me conheço
E não há como lhe encontrar.
Faço das tripas coração impaciente
Qualquer meio de lhe salvar.
Canto sem fé minha oração incoerente
Qualquer santo para lhe guiar.
Sinto sua ausência
Mas não sei onde você estar.
Sob o signo da incerteza
Deito esperando não sonhar.
Só então descubro que se quisesse vir
Já estaria aqui comigo faz tempo, muito tempo.
Deixo o sol entrar.
Trago em rimas inconsistentes
O que não costumo usar.
Passo pelo que não mereço
Para melhor lhe impressionar.
Vejo que não me conheço
E não há como lhe encontrar.
Faço das tripas coração impaciente
Qualquer meio de lhe salvar.
Canto sem fé minha oração incoerente
Qualquer santo para lhe guiar.
Sinto sua ausência
Mas não sei onde você estar.
Sob o signo da incerteza
Deito esperando não sonhar.
Só então descubro que se quisesse vir
Já estaria aqui comigo faz tempo, muito tempo.
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